sábado, 14 de janeiro de 2012

Tem alguém ai?

Se digo,não entendem.
Se falo,não escutam.
Se mostro,não vêem.
Se provam,não sentem.
E se gritar?
Bem,se gritar a garganta falhará por falta de uso.
Não costumo mostrar dentro da minha concha,meus segredos,meus anseios,eu por inteiro.
Mas te trouxe pra dentro,cuidei de seus ferimentos,fiz e refiz sua cama tantas e tantas vezes.
E pra onde você vai?
Sem me entender,sem me escutar,sem me vê,sem me sentir,e sem outras muitas regras desregradas da partida que chega e logo se vai.
A pele é o maior orgão dos sentidos.
Tanto faz um beijo no pé ou no ouvido.
Você me estremesse sem fazer alardes.
Me cerca mas não me ameaça,me tem mais talvez nem saiba que já nos tivemos antes e antes e antes...
Estou agora em silêncio que é o que sei fazer de melhor
Se quero?
Sim,sempre quero.
Mas agora não.
Só por agora não.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Um corpo que jaz

Estou nua.Despida do próprio ser.
E estas secas palavras me cobrem,
Na imensidão do soneto que me cerca.

O outro lado parece aprazível e controlado.
Organizado.Sim,organizado,mas não por mim.Nem pela minha efêmera existência,que de tão pobre teme a própria luz.

E sobre esse brilho,não sei dizer...

Descolada do corpo.Como minha sombra sagaz e simpática.
Devoro meus anéis e queimo meus anticorpos

E o que sobra não sei dizer...

Glóbulos vermelhos e brancos explodindo e guerreando para salvar um corpo que jaz

Rumo ao nascimento eterno.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Quanto vale uma rosa?

Detruimos árvores seringueiras e araucárias para transformar em dinheiro
E você me pede dinheiro por uma rosa?
Me diga com todas as suas verdades
Quanto te vale uma rosa?
A rosa que mereço
A rosa que invejo
A rosa que possuo e reino
Ela, que parece estas sempre em êxtase,em gozo eterno
Ela, que me sorri nas primeiras horas de calor
Tão esplêndida que desabrocha calada ,em reverência a quem vê
Ah!Como eu queria ter espinhos também.
Para espetar quem não me olha com os olho da alma
Para me proteger, e garantir minha espécie
Rosa esperta!
Rosa viva
Viva a rosa!
Que é.
E simplismente existe
Pelo fato de ser.
Ser perfeita,frágil e inteligente
E existir de fato
Ser o que é.Uma rosa.
E para você quanto vale?

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

?

E se não escutarem o que tenho a dizer?
E se não me derem pena nem pergaminho suficiente?
E se a luz for fraca?
E se a tinta acabar?
E se ja for tarde da noite?
E se a janela abre sozinha no meio da noite?
E se você tapar os ouvidos?
Eu grito?
Eu calo?
Eu tento?
E o que você tem mesmo a ver com isso?

Pra não dizer que não falei da vontade

 Hoje...
Vou dormir com medo do escuro,vou deixar a luz acesa e ver se escrevo algo sobre alguma coisa qualquer que ninguém se importa.
Vou ver se na T.V algo presta e se prestar vou usar para me proporcionar sono.O sono dos justos,o sono que acalma,o sono que embeleza e que traz de volta o sorriso.
Vou tentar comer,saborear,engolir,mastigar uma comida qualquer,um gosto qualquer pra sentir meu paladar de todas as formas.
Vou tomar um banho e sentir cada gota,cada cheiro,cada textura,cada frescor e tentar me sentir assim o resto da noite.
Dessa noite.
Amanhã você talvez também não venha,mais como todas as noites...estarei esperando.
Se você não conseguir o que quer no meio do caminho me avisa,por que o que tu queres há de ser tudo da lei.
Mas só amanhã...hoje não.
Hoje já disse o que vai ser feito.
Já quebrei todas as louças,e engoli todos os cacos.
Mas amanhã...se meu coração ainda estiver batendo,se meus dentes ainda estiverem brancos,se os pássaros ainda forem me acordar e se você vinher me ver irei recebe-lo,e de pernas abertas para melhor visualização.
Mas hoje não!
Hoje não.

A hora da estrela (1947)

Cava a própria cova com os próprios pés
O próprio velório,o próprio crepúsculo
Invade o próprio ser
Desfigurando linhas da própria face
Cutucando as próprias rugas
Esticando o próprio couro
O próprio
Apropriado de si mesmo
De proposito...